quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Pernas pardas reluzentes...

Tua beleza é de uma gostosura ímpar, um deleite aos olhos, uma festa de formas, movimentos e cor. Olhar-te assim, livre do calor das calças, aproveitando o frescor do vento, este sortudo que toca a tua pele, desliza em tuas pernas pardas reluzentes, onde eu viveria a beijar nas manhãs, conforme pedem os meus olhos, aos teus. És um filme. De fato, paira nos teus ombros, envolta de teus cabelos negros, uma história louca, uma profunda intriga, uma cena longa e exaustiva, a arte que maltrata o desejo: teu corpo, teu caminhar, tudo em ti, que me atrevo amiúde a deixar assim, na imagem, na criação, no amor.

domingo, 17 de novembro de 2013

Quem acha...

Meu amor é mentira. Minto, acho que realmente a amo, mas o problema é que costumo obedecê-la. Ela pensa que eu não a amo, ou pior: nem pensa sobre isso. Acho até que eu morri. Se eu morri, logo não posso estar sentindo saudade, vontade de abraçar, morder, falar e beijar ao mesmo tempo. Não. Acho que é carência. Eu quero muito essas coisas de amor, e não importa tanto conhecer a pessoa, que só precisa ter algumas características estéticas e psicológicas de acordo com as minhas preferências.... Eu devo obedecê-la, não tem jeito... Deve ser fome. Alguma dica?

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A saudade não cabe aqui...

Quando caminho pela beira, e vejo a "estradinha" pra lua, tento olhar por um tempo, e não consigo. Tento novamente, me esforço, e logo desisto. É inútil. A saudade me toma por completo, não sei o que fazer, dizer, pensar, e volto a olhar para o chão, seguindo meu caminho para casa. Eu sei o quanto é estranho, mas é difícil até formular um título para esse post. A vontade é de enrolar o máximo, para não ter que pronunciar em pensamento o nome desse amigo tão querido que se foi. A imagem que surge quando vejo a "estradinha", é a de Romualdo cantando Rapaz do Interior, chorando, rindo, brincando, babando, me abraçando e confessando a vida... Tudo isso por causa dessa música, que fala da saudade de viver numa cidadezinha do interior, dessas que não tem shopping, muitos prédios e mil opções, mas tem barulho de grilo, menos barulho de carros, um céu que parece maior, e, especialmente em Guaíba, uma linda vista de frente para o lago, que faz o amanhecer ser ainda mais bonito, assim como o luar das noites de céu aberto, que faz a tal "estradinha" que Romualdo tanto gostava. Eu não sou um músico de sucesso, digamos, e acho que isso sempre me fez ter um carinho especial por cada pessoa que elogiasse meu trabalho. Quando lembro do jeito do Romualdo, aquela mistura de poeta, jornalista, romântico, intelectual e, sobretudo, muito sensível, eu sinto um vazio imenso, difícil de explicar... Eu nunca senti algo assim. É como se a vida toda tivesse que recomeçar, ou até o mundo, o universo e seja lá o que for que pode haver além... Romualdo foi importante de tantas maneiras que daria um livro ter de contar nossas conversas e noitadas. Foi um vento forte de boas lembranças, uma vida curta e bonita, um rapaz do interior, desses que olha pro céu, quando tem lua bonita... A saudade não cabe aqui. Muita coisa não cabe mais, em lugar nenhum. Nunca esquecerei do meu grande amigo, Romualdo Furtado.



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Carta fechada.


Confesso que não me acho lá grande coisa. Me daria 8, numa escala de 0 a 1000. Tenho mania de explicar o contexto do que estou dizendo, bem como o objetivo, tanto no meio como também no final do texto. A conclusão, é claro, deixo no início. Pouco me importa se o Sr. Formalismo não se importa. Não me interessa, também, a Sra. Sua Opinião, a não ser que você seja a Liv Tyler. Essa, sim. Faço questão de falar dela com cada palavra entre-vírgulas, como um gago em boa recuperação o faria, talvez, o que, agora, porém, percebo como desnecessário, visto que apesar de boa a piada, não terei escolha senão cancelar as implicações da brincadeira. Feito isso, volto ao tema principal: Liv Tyler. Aceito suas críticas com o maior prazer, Liv, a não ser que você também não perceba, é claro, que a conclusão está no início.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Temores

Amores mornos, adornos
Inofensivos, não ensinam.
Genéricos, receitados.
Amores mortos, encomendados.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Gymnopédie N. 3, de Erik Satie




São as "entre-vírgulas" da melodia, como se fosse alguém a se explicar, que não se cansa de frisar os "entretantos", "poréns", chegando a perder-se em seu discurso, mareada, envolta de harmonias findas e ternas, que se cruzam e se atraem como se tentassem orbitar umas as outras… Linda obra! 

domingo, 20 de janeiro de 2013

O dia em que os melhores amigos receberam uma nova chance

Era um dia belo, quando eu e meu irmão decidimos ir atrás de nossa cadela chamada Sapeca, que já era bem velha, tinha algo em torno de 18 anos, e tinha sido recolhida pela Carrocinha. Primeiro ela sumiu estranhamente, até que um querido veterinário da cidade me parou na rua e disse ter visto a seguinte cena: ela, entre outros coitados, sendo recolhidos pela Carrocinha, e inclusive, na frente da nossa casa. Não deu outra. Eu e meu irmão decidimos fazer o resgate. Diziam na época que o cachorro poderia se tornar sabão, e a ideia de tomar banho usando sabão feito de Sapeca não era lá muito agradável. Então, eis que lá estávamos. Um lugar próximo aqui de Guaíba, sem muita gente, sem asfalto, um tanto insalubre, nenhuma sombra, com casas mal cuidadas de tal forma que pareciam abandonadas. Fomos parando o carro simplesmente, perto do que parecia ser o tal canil. Não consigo lembrar se o portão estava trancado, mas lembro que portão trancado não seria problema, e logo entramos pátio adentro e avistamos os bichos. De fato, ao notar que não havia ninguém para nos atender, e ao notar nossa querida Sapeca no meio de uma considerável quantidade de bichos em um espaço tão pequeno, com alguns potes de comida vazios, simplesmente arrombamos o canil. Saíram muitos, todos com gana de viver. Era uma cena e tanto! Corríamos juntos e dando risada numa desvairada nuvem de poeira, eu, meu irmão com a Sapeca no colo e aquela imensa avalanche de cães com a língua de fora. Queriam brincar, comer, correr mais e mais, enfim… Naquele dia éramos terra, coração, água, fogo, ar, unindo nossos poderes para o Capitão Planeta. Nunca vou esquecer… Entramos no carro e  de relance notei que todos os cães tinham se espalhado, simplesmente. Vai saber onde foram parar… Ganharam uma segunda chance, assim como a Sapeca, nossa querida cadela que nem existe mais, mas que me viu crescer e me ensinou muita coisa sem precisar dizer nada.